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A
odisséia da Facomb
Eduardo
Horácio Júnior*
Era uma rampa levemente inclinada
e discreta. De certa forma, tentadora. Solteira, não
tinha escadas, ao contrário das suas irmãs universitárias.
O calouro, em seu primeiro dia de aula, estava apaixonado
pela rampa. Foi por causa dela (da rampa), que ele quis conhecer
o prédio. Queria só para ele. Pensava no prazer
que sentiria se tivesse aquela rampa do seu lado todo dia
de manhã quando acordasse.
Mas toda
rampa, mesmo a mais perfeita das rampas, é ela e suas
circunstâncias. Para além dela, a rampa tinha
uns professores com vontade, alguns burocratas e outros competentes.
Havia também muitos alunos sem perspectiva, olhos claros
e bonitos, sobrancelhas bem desenhadas mas tristes. Além
de um negócio chamado Dacom, de pernas bem torneadas,
que heroicamente insistia em fazer reuniões quase diárias.
Para alguns, quase inúteis.
A rampa
também tinha um passado. Antes não era rampa,
era escada. Mas, além disso, tinha traumas. Odiava
falar do presente. Lamentou que as pró-reitorias não
gostavam muito dela. Sim! Desde o nascimento da rampa que
não se vê uma pró-reitoria de extensão,
por exemplo, passando por ali. Mas um dos espiões da
reitoria chegou e mandou a coitada calar a boca.
E tinha
mais. Tinha um irmão chamado balcão que carregava
de tudo. Desde jornal-laboratório até adesivo
de candidato ao DCE. Um dia, o calouro e a rampa estavam dormindo,
ele em cima dela, como fazia sempre antes da cópula,
quando a rampa começou a tossir. Estava suja e resfriada.
O calouro,
que já não era mais calouro (estava no ano derradeiro),
percebeu então que passou os quatro anos cuidando apenas
da rampa. E viu que não bastava. Era preciso cuidar
também do conjunto. Ouviu, então, falar de uma
tal Central de Produção On-line. Mas isso já
era uma outra história.
P.S.:
Se você, calouro ou não, ainda não sabe
o que é essa "outra história", é
melhor se informar rapidinho. Ou então, vai ficar por
aí cuidando de rampas...
*Eduardo
Horácio Júnior é jornalista recém-formado
pela UFG
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